
Tratamento quaternário
A quarta etapa do tratamento garante um refinamento adicional da água e permite eliminar micropoluentes, germes ou outras substâncias nocivas.
A quarta etapa do tratamento constitui uma etapa adicional nas estações de tratamento, e complementa as três primeiras etapas do tratamento (mecânico, biológico e químico). O objetivo desta etapa é eliminar substâncias que não podem ser eliminadas de forma suficiente pelos processos convencionais, nomeadamente substâncias orgânicas em estado de vestígios, também denominadas micropoluentes.
As substâncias orgânicas em estado de vestígios incluem, nomeadamente, resíduos de medicamentos, hormonas, produtos químicos, domésticos e industriais, bem como cosméticos. Estas substâncias estão presentes nas águas residuais em concentrações muito baixas (da ordem dos nanogramas a microgramas por litro), mas podem, mesmo a estes níveis, ter efeitos nocivos nos organismos aquáticos e nos ecossistemas.
A quarta etapa do tratamento baseia-se, na maioria das vezes, em processos com ozono, durante os quais as substâncias residuais são transformadas quimicamente, e/ou na utilização de carvão ativado, no qual essas substâncias são adsorvidas. Outros processos possíveis incluem filtros plantados, processos de membrana ou tratamento por radiação ultravioleta (UV). Dependendo da tecnologia utilizada, a quarta etapa do tratamento também pode contribuir para uma desinfeção parcial das águas residuais, ou seja, para uma redução da carga microbiana.

No entanto, mesmo na quarta etapa de tratamento, não permite eliminar totalmente todas as substâncias presentes nas águas residuais. Algumas substâncias são difíceis, ou mesmo impossíveis, de separar do ponto de vista técnico e, mesmo para aquelas que podem ser bem eliminadas, geralmente não se consegue uma eliminação completa. É, por isso que é particularmente importante evitar, tanto quanto possível, a introdução de substâncias problemáticas no ciclo das águas residuais, uma vez que a sua eliminação posterior está associada a custos técnicos e financeiros elevados. É também importante notar que, mesmo que as águas residuais tratadas numa quarta etapa cumpram normas de purificação muito elevadas, não atingem a qualidade da água potável.
Com a nova diretiva relativa às águas residuais urbanas, a introdução de uma quarta etapa de tratamento torna-se obrigatória para determinadas estações de tratamento selecionadas.